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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Nota do CA de Psicologia UECE em apoio às famílias da comunidade do Alto da Paz


Na manhã de quinta-feira (dia 20), a comunidade Alto da Paz, localizada no bairro Vicente Pizon, sofreu com uma das práticas que está virando marca registrada da atual gestão da prefeitura de nossa cidade: a repressão policial. Segundo o Jornal  "O Povo", cerca de 350 famílias foram desapropriadas de suas casas. Em vão essas pessoas tentaram se utlizar como forma de resistência; a queima de colchões, de madeira e  de caixas de papelão. Policiais fortemente armados, junto com tratores, avançaram sobre a população, forçando a comunidade a se retirar sem nem ao menos ter tempo de pegar seus pertences ou lutar pelo direito de ficar na região.

Enquanto a prefeitura destrói histórias, ignora as raízes e dá margem ao progresso desenfreado, a mesma oferece, segundo relatos de moradores, 100 R$ como ajuda de custo para o pagamento de aluguéis, além da promessa de novas casas aos moradores. É sabido, a partir de teorias que nos guiam no dia dia, mais especificamente falando sobre a psicologia comunitária, que o indivíduo, enquanto sujeito comunitário, possui uma identidade com o local que vive, dito isso e entendendo identidade como processo de metamorfose, os atos de resistências tornam-se fundamentais, principalmente no sentido de lutar pela emancipação, que infelizmente vai além da ideológica nesse caso. O sujeito que perde sua história, perde a si mesmo, pois pensar em identidade implica resgatar as atividades e o processo de  consciência do indivíduo.

Ações como essa só retratam o desrespeito e a falta de interesse dos gestores no fortalecimento das comunidades e na potencialização das mesmas. Pensar e repensar uma cidade para o povo e não para as grandes empresas parece ser o que mais tem se deixado de lado nos últimos anos, principalmente com a chegada do "padrão fifa". Estamos revoltados e tristes com a situação vivenciada por tais famílias, que não foram as primeiras e parece que não serão as últimas se o atual governo continuar com as ações de desrespeito ao cidadão que tem se notabilizado em realizar. Diante disso, o Centro Acadêmico de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará se sensibliza pela situação das famílias e vem, por meio desta, prestar condolências as mesmas, além de total apoio aos atos de resistências. Como reflexão, deixamos a seguinte letra:

Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

Paralamas do Sucesso - Alagados




Relato feito por um morador da comunidade.
Retirado do canal: Fábio Santos

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Nota esclarecimento do posicionamento do Curso de Psicologia sobre o indicativo de greve


"Os estudantes de psicologia da Uece vêm tornar pública sua adesão à configuração de greve em nossa universidade. Em três Assembleias de Curso, debatemos o contexto de mobilização atual e discutimos profundamente a nossa participação, entendendo que não poderíamos fechar um posicionamento sem a devida apropriação e discussão do assunto. Pensamos nossa posição diante do processo coletivo da universidade e votamos em Assembleia, com presença maciça dos estudantes do curso, nosso indicativo de apoio à greve.

Entendemos que nenhum espaço político é espaço de homogeneidade, mas, ao contrário, de contradições e conflitos necessários ao debate. Assim, optamos por aderir à greve e participar ativamente da sua construção interna, inclusive levantando nossas dúvidas e discordâncias. Neste ponto, ressaltamos a dificuldade em realizar uma greve geral sem a representação estudantil do DCE, assim como a nossa discordância em relação a algumas posições mais radicais e de “convencimento”, que muitas vezes têm desvalorizado ou mesmo hostilizado as pessoas que pensam diferente.

Os estudantes de psicologia afirmam sua consciência coletiva e o compromisso com a qualidade da Uece. Estamos inseridos no contexto histórico de precarização da Universidade e nos somamos à luta por recursos que garantam uma formação de maior qualidade para todos. A Universidade Estadual do Ceará é, mais do que tudo, um espaço de luta! Estudantes e professores têm superado limites para garantir o aproveitamento dos mínimos recursos que temos, entretanto, não conseguimos superar a falta de compromisso do Governo do Estado com a Universidade pública, que é o grande obstáculo à nossa formação. Reconhecemos as mobilizações e as diversas tentativas de diálogo entre a Uece e o Governo realizadas nos últimos anos, e compreendemos que é hora de fortalecer a luta, pois não há mais condições de ignorar o processo de sucateamento dos campi da Estadual.

Na atual conjuntura, nos preocupamos com a problemática da formação de dois grupos antagônicos na Uece – pró e contra a greve. Para nós, esse momento de efervescência é um campo fértil para possibilitar espaços de discussão e mobilização entre alunos, docentes e comunidade. Ambos os grupos apresentam potencial mobilizador e estão unidos por um objetivo comum. Consideramos que a falta de diálogo e a troca de hostilidades enfraquece qualquer movimento, então, convidamos os estudantes a estabelecer pontes de diálogos e construir uma mobilização una, forte e crítica, pois a integração das diferenças gera crescimento e amadurecimento na mobilização estudantil.

O curso de psicologia da Uece se apropria do processo de greve como espaço de ação e formação e espera contribuir com uma visão crítica e com participação efetiva nos diversos momentos a serem construídos coletivamente. Esse tem sido um período bastante rico para nós, em que temos debatido diversas questões do nosso curso e da Universidade. Convidamos todos os estudantes a participar do mesmo processo, rompendo os muros da sala de aula e da Uece na nossa formação pessoal e coletiva!"

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Nota CAPSICO sobre o dia do Psicólogo


Ser Psicólogo em nossa realidade é confrontar-se com o desafio, é confrontar com a (re)invenção da nossa prática, é confrontar com os esteriótipos acerca de nossa figura, é encontrar com o outro sem se escandalizar e sem julgá-lo, é ir além do que é visto, é apoiar o outro para que ele possa ser, é ajudar a tornar sujeito a quem se coloca como objeto...é fazer o que o mundo às vezes tanto rejeita, apenas ter o dom da escuta, dar voz a quem quer ter e necessita ter. Que nesse dia pensemos e repensemos as nossas práticas e coloquemos a Psicologia a serviço de todos, tirando-a de pedestais e levando-a as ruas, a quem realmente necessita. 

O Centro Acadêmico de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará -CAPSICO UECE, gestão Ventura - vem desejar a todos os Psicólogos e a todos os estudantes de Psicologia um feliz dia dos Psicólogos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Nota do C.A. sobre as manifestações atuais. @capsicouece


O Centro Acadêmico de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará - CAPSICO - vem por meio desta, manifestar o seu apoio aos protestos que estão ocorrendo e ocorrerão em NOSSA cidade, Fortaleza, e por todo o NOSSO país. Assinalamos que é de extrema importância a participação do povo na luta por melhorias em nossa sociedade, em nossa realidade.

Por muito tempo ficamos calados, por muito tempo ficamos nos resignando e aceitando todo tipo de manobras dos "donos do poder" sobre nossas vidas, nossos destinos, mas não, eles não são os donos do poder. Fazendo todo tipo de mágica e ajustamento para sobrevivermos em uma realidade cada vez mais dura, cada vez mais esmagadora do sujeito ativo e social, imprensando a todos nós na "segurança" de seus lares e em nosso mundinho particular. Fazendo o brasileiro ser mais "craque" no seu dia-a-dia, virando-se para pagar todas as suas contas, alimentar sua família com o mísero salário mínimo que recebe e driblando a polícia para não ser "confundido" com bandido e não apanhar. É, chegou a hora de mudarmos isso, chegou a hora de irmos as ruas nos colocar, mostrar a todos quem somos e o que queremos, mostrar que o povo do "jeitinho" está cansado dos jeitinhos que nossos políticos/senhores do poder fazem com nossas leis e nossos direitos.

Não, não são por "apenas" 20 centavos, que em boa parte de nossa população faz falta e muito, mas é por direitos, direito a condições dignas de vida, direito a ter nossos direitos básicos assegurados (educação, saúde, qualidade de vida e por aí vai) e por direito a se expressar, direito a lutar por mudar essa realidade. Somos o povo que está acostumado com o carnaval, com o samba, com o futebol, não, não negamos que esses três componentes fazem o nosso país, mas queremos também estar acostumados a saúde, a educação, a qualidade de vida, a políticos íntegros, a segurança, a menos desigualdades sociais e tudo o mais.

"Porque eu sou brasileiro
Meu ano só começa quando passa fevereiro
Pobre ou rico ou classe média
Levante a mão de quem já sentiu puxar a sua rédia...

Desculpe se a letra está ficando difícil
É que eu nunca treinei pra fazer comício
Nasci e me criei em Fortaleza
Não tenho e nem faço questão da vossa nobreza."

(Selvagens a procura de Lei - Brasileiro)

P.S.: Aproveitamos para convidar a todxs e também todxs os estudantes do curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará, a participar da luta, a participar da História, JUNTOS SEREMOS MAIS FORTES!